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24/04/2018

Não É Um Livro de AutoAjuda!

Coaching, autoajuda, desenvolvimento pessoal, mentalização positiva — sem querer desprezar o valor de nada disso, a grande verdade é que às vezes nos sentimos quase sufocados diante da pressão infinita por parecermos otimistas o tempo todo. É um pecado social se deixar abater quando as coisas não vão bem. Ninguém pode fracassar simplesmente, sem aprender nada com isso. Não dá mais. É insuportável. E é aí que entra a revolucionária e sutil arte de ligar o foda-se.
Mark Manson usa toda a sua sagacidade de escritor e seu olhar crítico para propor um novo caminho rumo a uma vida melhor, mais coerente com a realidade e consciente dos nossos limites. E ele faz isso da melhor maneira. Como um verdadeiro amigo, Mark se senta ao seu lado e diz, olhando nos seus olhos: você não é tão especial. Ele conta umas piadas aqui, dá uns exemplos inusitados ali, joga umas verdades na sua cara e pronto, você já se sente muito mais alerta e capaz de enfrentar esse mundo cão.
Para os céticos e os descrentes, mas também para os amantes do gênero, enfim uma abordagem franca e inteligente que vai ajudar você a descobrir o que é realmente importante na sua vida, e f*da-se o resto. Livre-se agora da felicidade maquiada e superficial e abrace esta arte verdadeiramente transformadora.

 

Leia a seguir um trecho da entrevista de Mark Manson a revista Veja (link: https://veja.abril.com.br/entretenimento/mark-manson-a-positividade-e-superestimada/ ), feita durante sua passagem pelo país para a divulgação do livro:

No livro, você diz que o nosso foco em positividade é uma lembrança do que ainda queremos conquistar. É um problema tentar ver a vida com positividade, então? A positividade é superestimada, ela amplifica aquilo que falta na gente ou o que desejamos ser. É melhor ser honesto sobre seus problemas e defeitos do que tentar se sentir bem o tempo todo.

Qual o maior defeito no campo emocional? Não assumir responsabilidades. Está cada vez mais fácil culpar os outros pelos seus problemas. Mas a verdade é que cada um é responsável pela forma como reage às situações. Ninguém pode viver sua vida por você.

Por que diz que responsabilizar os outros está ficando mais fácil? Antes, isso acontecia em uma escala menor. Se tinha um problema com a minha família, em vez de resolver, eu ficava por aí reclamando e culpando a todos por isso. Esse tipo de coisa ainda acontece, mas agora, como temos acesso a mais pessoas e mais grupos por causa da internet, estamos empurrando a culpa para mais pessoas, partidos políticos, grupos étnicos, empresas.

Um comentário sobre o seu livro na internet diz que ele é “budismo disfarçado para millennials”. Você concorda com essa visão? (Risos) Não discordo. O budismo me influenciou bastante, apesar de não me considerar budista. Sempre me interessei por isso, li muito e pratiquei um pouco, mas não gosto de me autodeclarar desta ou daquela religião. As ideias do budismo de não se apegar foram muito valiosas para me fazer avaliar o que era bom na minha vida e o que não era. Budistas também têm um bom entendimento sobre conflito e problemas.

Você viveu no Brasil por um tempo. O que você viu aqui que fez com que você escrevesse aquela carta aos brasileiros? Honestamente, sinto que eu nem escrevi aquela carta. Naquela época, durante a crise econômica e política do Brasil, as coisas estavam ruins para muita gente. As minhas conversas com meus amigos brasileiros eram sobre a situação brasileira, a política, a economia, corrupção. Quase todos me disseram o que está naquela carta, que o problema é a cultura, a mentalidade. Eu fiquei muito frustrado vivendo no Brasil naquela época e mencionei para os meus amigos que estava pensando em escrever uma carta para meus leitores brasileiros. Eles ficaram muito animados, me encorajaram. Eu concordo com tudo o que está na carta, mas nenhuma das ideias é originalmente minha.

Como foi a reação à sua carta? Você foi criticado, elogiado? Teve de tudo, mas a reação ou foi muito positiva ou muito negativa, não teve ninguém que ficou no meio-termo. Entendo algumas das críticas que dizem que eu não tenho conhecimento o suficiente em história e política do Brasil para dizer algumas coisas, mas, sabe, é uma opinião.

As respostas negativas fizeram com que você mudasse de ideia sobre algo? Na verdade, não (risos). A maior parte das respostas negativas não discordava da carta, mas tentava explicar as coisas, dizendo que o Brasil tinha um longo histórico de colonialismo, que Portugal acabou com o Brasil. Eu entendo, mas isso é uma explicação, não uma justificativa. Esse histórico explica, mas não muda nada. Ainda considero que há um problema cultural que precisa ser resolvido.

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